quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Opinião - Fanboys e Adaptações

  Pois bem. Vou escrever agora sobre um certo tipo de público no mundo nerd que eu admito ter dificuldades para entender e dialogar. São os fanboys. Aqueles fãs inflexíveis sobre suas preferências e que geralmente gostam de arrumar intrigas com todo o resto. Deixando bem claro: Não há problema em ser fã de algum personagem/história/multimídia/whatever. É muito bom ser fã de alguma coisa. A indústria de entretenimento precisa dos fãs para funcionar. Afinal de contas, tem de haver o consumo, não é mesmo?
  O problema reside quando a pessoa X é fã do herói Y e tenta "massacrar" aqueles que não curtem o seu herói favorito. Especialmente nesses tempos de hoje de tantas redes sociais, onde ao alcance dos dedos podemos expor nossas ideias e opiniões como eu estou fazendo nesse momento. Enfim. Vejo muita gente nas redes sociais reclamando de filmes quando mal sai trailer, de séries que mal são anunciadas, sem ao menos termos mais elucidações sobre o que está por vir. 

-"Ah. No quadrinho, fulano tem isso, isso e aquilo. E tem cicrano. No filme não."

  Com esse maravilhoso (what?) exemplo citado acima, eu tento mostrar um problema entre "fãs" e adaptações de quadrinhos e literatura. Ao meu ver, adaptação é uma pura questão de linguagem. Tem coisas que funcionam nos quadrinhos, mas que não funcionam no cinema. O mesmo vale pra literatura. Exemplo? Gosto de usar o filme Kick Ass, lançado em 2010. O filme é uma adaptação dos quadrinhos escritos por Mark Millar e desenhado por John Romita Jr. Um quadrinho visceral, onde "crianças" tentam ser heróis num mundo igual ao nosso, sem aliens, aranhas radioativas ou raios gama. A história é recheada de violência, tortura e sangue, chegando a impressionar de primeira. O filme deu uma bela "enxugada no sangue" pra ser lançado, mas ainda assim saiu com uma censura de 18 anos tanto nos Estados Unidos como aqui no Brasil. Se tivéssemos a violência dos quadrinhos exatamente copiada para o filme, teríamos uma espécie de "Jogos Mortais" com máscaras e roupas coloridas. Acreditem, não daria certo. Não mesmo!
  Adaptações muitas vezes pecam, isso é fato (ouvi Percy Jackson? Oi?). Mas deveríamos encarar tudo isso como tentativas dos estúdios de trazer mais fãs para as obras. Já imaginaram se Game of Thrones e House of Cards não tivessem suas séries? Como seria o público dessas obras atualmente? Tá certo que tentativas muitas vezes não funcionam. A beleza disso tudo é termos várias histórias nos quadrinhos com os mesmos personagens, ou filmes com diretores diferentes. Fato: Adoro o Homem Aranha, mas a saga Superior não me desce. Mas não deixo de gostar do "cabeça de teia". Posso ler Amazing, Ultimate, Spectacular, ver os desenhos, jogar os games e ver até os filmes. Essa é a beleza da coisa.
  Enfim. Eu adoro mencionar o Stan Lee nessas horas. Perguntado sobre quem ganharia batalhas, o Excelsior foi categórico: depende do roteirista. É complicado resistir as especulações entre possíveis combates entre heróis, que eventualmente acontecem. Mas é bom lembrar que nenhuma dessas lutas é absoluta, já que os quadrinhos são reinventados a cada dia. 
  Bem, acho que foi um texto longo. Resumo da ópera: leiam, assistam, joguem, curtam. Mas sem "mimimi", true believers! Não sejam fanboys e atravessem só no sinal vermelho! Até a próxima! 

                                                "Violência doentia: do jeito que você gosta"

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